terça-feira, 18 de dezembro de 2018

CARTA DE REPÚDIO E INDIGNAÇÃO


A Associação Cultural Moviafro, em nome de seu presidente, sua diretoria e seus associados vem por meio desta carta manifestar repúdio e indignação às atitudes do vereador no município de Feira de Santana, Edivaldo Lima e a todos que no último dia 04 de dezembro, coincidentemente dia em que se comemora Santa Bárbara/Yansã, numa explícita demonstração de intolerância religiosa retiraram os textos que beneficiavam as religiões de matriz africana no PDDU deste município. 
Conforme diz a constituição Brasileira, (Art. XVIII) “Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular”. 
Na contra mão da luta por políticas que garantam o respeito à diversidade, o vereador do município de Feira de Santana, Edivaldo Lima demonstra mais uma vez a sua total aversão às religiões de matriz africana com uma ação claramente discriminatória e de intolerância. O exemplo mais gritante foi  a retirada do texto que beneficiava os centros de Culto Africanos e  a  implementação do ensino afro religioso nas escolas do município que faziam parte do PDDU ( Plano Diretor de Planejamento Urbano e Territorial. Não é a primeira vez que o referido vereador age dessa forma demostrando total repúdio a essa religião que diferentemente de algumas outras, não prega o ódio e nem o preconceito. Muitos líderes dessas religiões aproveitam a falta de conhecimento de grande parte dos fiéis para os manipularem, injetando em suas mentes falsas informações e no caso dos religiosos políticos utilizam das mais sórdidas ferramentas para mudarem o foco de assuntos que são deverasmente mais necessários para a população. Taxar de diabólica e promover discurso de ódio e intolerância a outras religiões que diferem do cristianismo, além de crime previsto na Lei 9.459/1997 e  Art. 208 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40, pois fere a dignidade e liberdade humana, revela ignorância de outras realidades e tradições que fazem parte de um país Laico e multicultural como o nosso.  O direito á liberdade religiosa é um princípio da igualdade. Por essa razão nós dos Movimentos Negros, Mulheres e seguidos por vários outros movimentos da cidade repudiamos a ação desse vereador que expressa a mais absurda demonstração de intolerância religiosa contra a religião de “Matriz Africana” e exigimos à permanência dos textos que foram retirados do programa. Declaramos o nosso total apoio e solidariedade a todos adeptos e simpatizantes das religiões de matriz africana já que um dos principais objetivos da Moviafro é de lutar por igualdade, respeito e aceitação. A Moviafro se posiciona contra todo e qualquer tipo de preconceito
Vemos posturas fundamentalistas de lideres religiosos e adeptos, de maneira que em meio a estes, aparecem discursos de ódio que desrespeitam a liberdade de consciência e de crença, ao mesmo tempo em que desqualificam outras tradições de fé e distintas formas de amar e de existir. 
Em tempos de inflexão e de discursos sectários é urgente superar a visão exclusivista do cristianismo e perceber que a pluralidade do mundo é uma realidade sem volta e a convivência entre diferentes, somente é possível com o reconhecimento de que o outro é outro e que é nosso dever ético superar os preconceitos, respeitar e darmos as mãos para construirmos uma sociedade justa para todos e todas.
Construir uma sociedade comum fraterna, uma verdadeira Oikoumene é nosso desejo e o nosso árduo trabalho. Promover uma sociedade comum de vivências plurais, nas quais as religiões possam respeitar umas às outras e aqueles que não professam uma religião onde os direitos humanos fundamentais sejam reconhecidos e efetivados. Exigimos um posicionamento dos demais vereadores até porque temos certeza que os senhores não foram eleitos apenas com os votos de católicos e protestantes  entendemos que a liberdade de expressão é direito, mas, discursos e gestos de ódio como esses são crimes que geram violência, perseguições e mortes em todo o mundo, o que vai de encontro aos valores da fé cristã. Por fim, nos colocamos a disposição para de forma harmoniosa discutirmos e colocarmos em prática, ações efetivas de combate a todo e qualquer tipo de preconceito.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Entidade cultural realiza caminhada em comemoração ao dia nacional do samba.


“.... obrigado meu Deus, foi tudo lindo”.

Com essa palavra o ativista cultural Jorge Santana resumiu o que foi a 1ª Caminhada do Samba da Rua Nova realizada no dia 02 de dezembro em comemoração ao dia nacional do samba. Jorge Muzembela, como é conhecido foi quem coordenou a festa idealizada  pela Associação Cultural Moviafro.
Como parte do processo de requalificação das entidades afro de Feira de Santana, a 1ª Caminhada do Samba da Rua Nova, encerrou as atividades da Moviafro em 2018. Criamos o evento para que as entidades filiadas possam se desenvolverem, e se manterem em atividade durante o ano inteiro, entendemos que cobrar dessas entidades atividades constantes seria injusto sem que antes pudéssemos oferecer condições para que as mesmas o fizessem, disse o presidente da Moviafro, Val Conceição. Ainda segundo ele, Jorge Muzembela está de parabéns, pois juntamente com a sua equipe soube desenvolver o trabalho de forma a motivar os demais filiados a também buscarem maior participação na realização de eventos culturais. Falo isso, porque outras agremiações filiadas a Moviafro já demonstraram interesse na realização de eventos sócio culturais nas suas comunidades.








Cerca de 600 pessoas participaram da caminhada que teve o apoio não só da comunidade local, mais também de muitas pessoas que se deslocaram de outros bairros e até mesmo de outras cidades, para se divertirem ao som do mais autêntico samba cantado por André Lopes e a turma do grupo Sem Mais Nem Menos. A caminhada foi iniciada às 11 horas da manhã, como havia sido programado anteriormente um horário que segundo os participantes foi excelente, apesar de atípico já que a maioria dos eventos no bairro, só começam no período da tarde. Percorrendo as principais ruas da Rua Nova com algumas paradas estratégicas, por volta das 14:30h, o cortejo do samba chegou onde havia sido o ponto de partida para fazer o encerramento. Uma multidão já aguardava a chegada do trio elétrico que com ele trouxe algumas centenas de pessoas fazendo um grande encontro onde proliferou alegria, paz e diversão. 



Alguns parceiros foram fundamentais para que a caminhada pudesse ter sido realizada, dentre os quais destaca-se o Grupo 2 de Julho principal patrocinador, a Polícia Militar do Estado da Bahia, que através da 64ª CIPM destacou cerca de 30 policiais que juntamente com a Base Comunitária de Segurança do bairro sob o comando do primeiro tenente Quintela deram todo suporte na segurança do evento, fazendo também um serviço que cabia a SMT que foi o bloqueio temporário de algumas ruas. A SMT não enviou prepostos para auxiliarem nesse evento mesmo sendo solicitado com bastante antecedência. Segundo o preposto daquela superintendência haviam outros eventos na mesma data e horário e segundo ele, eram eventos maiores onde todo efetivo para aquela data já estava escalado. A Guarda Municipal e a Secretária de Saúde do município, também não atenderam solicitações oficiais feitas pela Moviafro, ambas alegaram contenção de despesas.
Mais mesmo com dificuldades a 1ª Caminhada do Samba da Rua Nova foi um sucesso, era nítida a satisfação na fisionomia de cada um dos participantes. Famílias inteiras, crianças e idosos puderam sambar em um ambiente saudável e sem violência. Uma das participantes disse que foi um dos momentos mais emocionantes para ela durante a caminhada, quando André Lopes fez uma homenagem a um morador que havia falecido recentemente, cantando a música preferida dele. E ao chegar no ponto de encerramento o que se viu foram muitas pessoas já com saudade e explicitando o desejo de participação na segunda edição em 2019.
A Associação Cultural Moviafro agradece a Jorge Muzembela pelo desprendimento e dedicação para o sucesso do evento, bem como ao Salão Andréa Black, Arlecio da Banda Pretos de Preta, Comercial Jaqueira,  Supermercado Felipe, Comercial Mirtoca , Bando da Rua Nova, Deputado Fernando Torres e a todos os envolvidos direta e indiretamente na consolidação de mais um projeto idealizado pela Moviafro e coordenado pelo Bloco Afro Muzembela.

Confira as fotos do evento:
















segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Com igreja lotada, 1ª Missa Afro é realizada em Feira de Santana.

Em uma noite de muita emoção e fé foi realizada na  última sexta-feira (30/11), a 1ª Missa Afro de Feira de Santana. Presidida pelo arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni Demetino Castro e auxiliada pelo padre José Paulino que é vigário da Paróquia de Todos os Santos no bairro da Queimadinha a cerimônia contou também com a presença de autoridades políticas e religiosas, além da comunidade local.
A missa é a celebração do mistério, da vida, da morte e ressurreição de Jesus e neste ministério que nos celebramos, nós trazemos a vida concreta das pessoas. Nosso povo, em maioria absoluta é Afrodescendente, foi um povo que foi arrancado de sua terra e trazido para esse Brasil continente para serviço escravo, na lavoura, na mineração e tudo mais. A vida dessas pessoas e seu sofrimento têm a ver com a nossa historia e é isso que nós colocamos no altar na noite de hoje". Disse o arcebispo Dom Zanoni.




Lideranças das religiões de matriz africana,  evangélicas, católicas e do movimento negro, cantaram, dançaram e celebraram a vida e morte de Zumbi dos Palmares, assassinado em 1695, no Quilombo dos Palmares, Capitania de Pernambuco, que hoje pertence ao Estado de Alagoas. A celebração da missa afro foi alusiva ao Dia 20 de Novembro, Dia de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra e marcou o encerramento do Projeto Novembro Negro Moviafro que está na 3ª edição.



Val Conceição, idealizador e um dos organizadores da missa afro, e que também coordena a Associação Cultural Moviafro,  afirma que um dos objetivos  do movimento é lutar contra qualquer tipo de discriminação e intolerância e a missa afro é uma das formas de combater a intolerância religiosa. O Moviafro, a cerca de quatro anos, vem desenvolvendo ações de empoderamento da mulher e do homem negro, contra o racismo, contra o preconceito e a intolerância. Em dezembro,  encerraremos as nossas atividades no ano de 2018 anunciando a criação do Núcleo Moviafro de Mulheres Negras e lançando a nossa agenda para 2019. Afirma o líder do  Moviafro.  

Padre Paulinho, ressaltou a luta contra o racismo por outras lideranças negras no Brasil e no mundo, como o ativista dos Estados Unidos, Martin Luther King, pastor da Igreja Batista que lutou pela igualdade racial. Nelson Mandela, o mais poderoso símbolo mundial da luta contra o Apartheid, regime segregacionista da África do Sul, ganhador do Nobel da Paz em 1993 e é conhecido como o Pai da Pátria em seu país e primeiro presidente negro da África do Sul. Dandara dos Palmares, uma guerreira na luta pela liberdade do povo negro no Brasil e Malcolm X é um dos expoentes máximos da luta em favor da igualdade racial e pela libertação do povo negro, na qual combateu a estrutura racista sociopolítica dos EUA. 


Ao final da celebração, todos os presentes demonstravam sorrisos de contemplação e alguns não conseguiam segurar as lágrimas por terem vívido o suficiente para assistirem uma missa desta natureza, disse a senhora Hildete Pereira, devota de Nossa Senhora Aparecida e do Senhor do Bonfim e que há cerca de 50 anos frequenta as celebrações nas principais igrejas da cidade. Ainda segundo ela, a realização da missa afro deveria ser mensal pois assim, seria fortalecido o combate a intolerância religiosa.