sábado, 24 de março de 2018

"Não são mulheres apenas em março, nem pretas só em novembro"


Esta afirmação lapidar, expressa pela jornalista baiana Rita Batista, num programa radiofônico na cidade de Salvador, esta semana, calou fundo na minha consciência, neste mês de celebrações sobre as mulheres , em verdade a frase é um alerta importante para que não nos bastemos com os lugares simbólicos da luta contra as discriminações, sejam elas de que modo for. claro que celebrar o 8 de março é importantíssimo, do mesmo modo que celebrar o 20 de novembro - dia nacional da consciência negra. Mas, precisamos bem mais que isto.
Os estudos, as pesquisas, as estatísticas e tudo o mais que fizermos para identificação do grau de discriminação, exclusão e/ou violência das quais as mulheres são vitimas cotidianamente no mundo inteiro, exigem que seu enfrentamento ocorra também no dia a dia e não apenas em momentos convenientemente reservados pela mídia para tratamento especial. E no casos das mulheres negras, temos que ter um olhar mais do que especial - afinal elas foram as vitimas maiores durante a escravidão, onde seus corpos e mentes foram violentados cotidianamente, por aqueles que lhes surrupiaram a liberdade.
É impressionante como as sociedades, sejam elas europeias, africanas asiáticas ou americanas possuem ou desenvolveram mecanismos extremamente cruéis no tratamento com as mulheres. seja na mutilação sexual, no casamento infantil, nos estupros coletivos, na violência doméstica, na dupla ou tripla jornada de trabalho, nos espaços segregados e até mesmo nos espaços religiosos, as sociedades humanas quase sempre encontram justificativas para que as mulheres sejam discriminadas, excluídas, ou violentadas. Não há um só segmento social que escape dessa mazela, seja rico ou pobre, preto ou ranco, intelectual ou ignorante, todos ou quase todos de alguma forma tem sido coniventes com as praticas mais vergonhosas contra as mulheres.
É bem verdade que tivemos avanços importantes em determinadas sociedades, notadamente no campo ocidental e que as mulheres tem lutado bravamente em defesa dos seus direitos mais elementares. Mas ainda assim, estamos muito longe daquilo que poderíamos chamar de comportamento civilizado e igualitário na relação com as mulheres. Há um quê de conivência, de comodidade, de conservadorismo, em particular nos circuitos do poder, que mesmo quando existem mecanismos disponíveis para coibir-se ou punir-se estas praticas criminosas a sua implementação ainda assim é difícil e obstacularizada.
Vejam o caso brasileiro, da lei Maria da Penha que está completando doze anos de existência. Em que pese a concordância de todos sobre a sua justeza, ainda assim, tem encontrado resistências na sua aplicação até mesmo no setor judiciário. Alguns afirmam que estas praticas contra as mulheres é uma tradição cultural, outros que está assentada em fundamentos religiosos(notadamente os evangélicos) e outros tantos legislam em causa própria, pois caso aplicassem a lei, seriam seus próprios algozes.
Enfim, é fundamental que a sociedade brasileira como um todo e não apenas as mulheres, adote urgentemente medidas, ações e legislações que não apenas protejam as mulheres dessa violência generalizada, mas que assegurem o direito pleno delas serem tratadas com respeito e dignidade.
Afinal, é isto que esperamos de qualquer sociedade que pretenda ser chamada minimamente de civilizada.

quinta-feira, 22 de março de 2018

São conhecidas as finalistas do 2º Concurso Miss Afro Feira de Santana

Na manhã do ultimo domingo (18/03), foram selecionadas as 15 finalistas do Miss Afro Feira de Santana 2018. Após duas eliminatórias bastante concorridas, já que foram 123 candidatas inscritas, numero recorde em eventos de beleza negra, superando inclusive a quantidade de inscritas do concurso que elege a Deusa do Ébano (Ilê Ayiê) em Salvador, que foram 116. Segundo Val Conceição, coordenador geral do evento e do COLETIVO MOVIAFRO que realiza o concurso pelo segundo ano consecutivo, a seleção foi extremamente difícil, pois selecionar apenas 15 num universo de 123 mulheres negras empoderadas e super conscientizadas não é tarefa facil.
Foram utilizados critérios incomuns para um evento de beleza, até porque o Concurso Miss Afro Feira de Santana não é considerado apenas um evento que busca a beleza plastica, é mais que isso, o objetivo do miss afro é conscientizar essas mulheres que sofrem com o racismo, o preconceito, a falta de espaço no mercado de trabalho, além de elevar a autoestima delas. Durante todas as etapas do concurso são ministradas palestras, rodas de conversas, oficinas de formação e aplicado questionários com assuntos relacionados a cultura afrodescendente como também a historia do povo negro no Brasil. As notas desses questionários são agregadas as notas do desfile onde  uma comissão julgadora formada por pessoas ligadas as áreas de cultura, jornalismo, direito, psicologia, dança e moda avaliam o desempenho de cada uma. Já no primeiro encontro que foi realizado no mês de março, houve uma grande roda de conversa com personalidades negras feirenses onde foi mostrado para as candidatas entre outras coisas, a importância do evento para a comunidade afro de Feira de Santana. 
Na primeira eliminatória foram selecionadas 42 candidatas, que passaram uma semana se preparando até chegar a semifinal que foi disputadíssima, a diferença de pontos de uma para outra foi minima e no resultado final houveram alguns empates que foram resolvidos utilizando o primeiro critério de desempate que é a nota do questionário.


A grande final do 2º Miss Afro Feira de Santana 2018, será realizada no próximo dia 13 de Abril(Sexta-Feira) ás 18h no CUCA - Centro Universitário de Cultura e Arte, a entrada é franca. Além do desfile com as candidatas que será em dois trajes, haverá também apresentação de Dança Afro, Pocket Show de Reggae, Recital de Poesias Africanas, Exposições de Roupas Afro e o encerramento será por conta da Banda Afro Lua Negra. Estima-se que um grande numero de pessoas estarão na plateia torcendo pela candidata de sua preferencia, mas ainda segundo Val Conceição, teremos a oportunidade de mostrar a esse mesmo publico os frutos do trabalho que o  COLETIVO MOVIAFRO vem desenvolvendo no nosso município ao longo do ano.
Essas são, as 15 candidatas ao titulo de Miss Afro Feira de Santana 2018.

AMANDA DE ALMEIDA

MICHELLY PHAYFFA

ANA PAULA ALVES

 TATIANA CARDOSO

MARESSA FERREIRA

VANDRIANE RIBEIRO

LAVÍNIA NASCIMENTO

VITORIA LAINY

ANA KAROLINE BARBOSA

ANTONIETA PERES

VANESSA CARVALHO

ALINE DALTRO

MAIANNA COUTO

ROSIDALVA DE ARAUJO

NATALICE DIAS

 O GRUPO CULTURAL MOVIAFRO agradece a todas as participantes que acreditaram e confiaram nesse projeto e deseja boa sorte a todas as finalistas. Axé

Fotos: Ana Paula Peres
            Antonio Magalhães