quinta-feira, 26 de abril de 2018

Entidades de matriz africana decidem o futuro do movimento afro de Feira de Santana

Na noite da última quarta-feira (25), 20 entidades de matriz africana (Blocos Afro, Afoxés e Escolas de Samba) se reuniram com representantes do Grupo Cultural Moviafro para definirem quais os rumos a serem tomados por essas entidades diante da atual situação que estão atravessando.
Foi exposto para o Moviafro as demandas existentes e a necessidade de mudanças para que tais entidades não sejam dizimadas. Era perceptível o interesse dos presentes em criar uma nova entidade que os representasse. O Grupo Cultural Moviafro tem como um dos seus objetivos a requalificação e resignificação do movimento negro de um modo geral e se pôs a disposição para ajudar no que fosse necessário. Com isso ficou definido por unanimidade que as agremiações presentes e determinadas a transformar o quadro atual, seriam filiadas ao Moviafro que as representariam.
Com isso, essas entidades passaram a ser representadas em todos os ambientes e em órgãos públicos e privados pela Associação Cultural Moviafro.
Que fará na próxima segunda-feira a assembleia geral para eleição da sua nova diretoria que será composta pelos próprios dirigentes das entidades agora filiadas. A posse da diretoria da Associação Cultural Moviafro está marcada para o dia 04 de maio no Mercado de Arte Popular.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Entidades de matriz africana superam dificuldades e desfilam na micareta de Feira.

Superação

Essa é a palavra que define o desfile das entidades de matriz africana na micareta de Feira de Santana 2018. Após quatro meses de muitas dificuldades, muitas idas e vindas e muitas inverdades. Cerca de 20 entidades afro, foram para a avenida mostrar um belíssimo trabalho cultural que é desenvolvido nas comunidades periféricas do nosso município. Sem poder contar com a ajuda da prefeitura de Feira de Santana devido a má administração da entidade que os representa, os blocos afro, afoxés e escolas de samba se uniram em torno de um só objetivo, ressignicar a cultura afro, essa foi a palavra de ordem durante todas as apresentações. A maioria das entidades puderam contar com a ajuda do governo do estado através do Programa Ouro Negro, que viabiliza uma verba para tais entidades utilizarem durante o ano em ações sociais e culturais, porém cerca de 6 agremiações não foram contempladas com esse programa e como não houve renovação do convenio com a secretaria de cultura do município elas ficaram sem recurso algum para irem pra avenida, o que levou as demais a unirem forças e ajudarem para que todos pudessem desfilar. 






Se utilizando de um horário anormal para tais apresentações e debaixo de chuva, as entidades deram um toque especial a micareta, dentro de um horário que não existia a festa, elas levaram pra o local disponibilizado pela prefeitura, cerca de 200 pessoas que nitidamente se sentiram contempladas por estarem na avenida naquele horário que historicamente não tinha nada pra ver. O Grupo Cultural Moviafro, organizou e coordenou os desfiles, já que o até então representante legal das entidades não compareceu e nem delegou as atividades a outras pessoas." Foi lindo, ver todas as entidades afro, unidas em um só ideal". Disse uma expectadora que levou a família para conhecer a festa e lá ficou sabendo da atual situação. Os representantes da secretaria de cultura do estado estavam presentes avaliando as entidades que foram contempladas e ficaram surpresos que pela primeira vez, "vimos todos falando a mesma língua e de fato como a secretaria de cultura do estado Arany Santana disse: vocês são sobreviventes". Frisou um dos técnicos da Secult/Ba.




Segundo Val Conceição, coordenador do Grupo Cultural Moviafro, será realizada na próxima quarta-feira, uma reunião com todas as entidades de matriz africana para deliberarem sobre o futuro dessas entidades. Não podemos permitir que agremiações com mais de maio seculo de existência, simplesmente sejam dizimadas como aconteceu com algumas de Salvador. Vamos resistir e vamos consertar os erros cometidos por aqueles que nunca tiveram compromisso com a cultura afro na nossa cidade. Disse ele.






 No sábado a noite, houve a apresentação da Banda Afro Tambores Urbanos e Banda Roça Sound patrocinados pelo governo do estado que levaram a musica de matriz africana para a avenida em um trio elétrico de primeira linha, cedido pela prefeitura. No domingo a tarde, fechando a programação das entidades afro, o Bloco Afro Nelson Mandela, desfilou também no circuito oficial e contagiou o publico presente, com suas musicas e sua ala de dança que esbanjou brilho e elegância na avenida.









No sábado a noite, houve a apresentação da Banda Afro Tambores Urbanos e Banda Roça Sound patrocinados pelo governo do estado que levaram a musica de matriz africana para a avenida em um trio elétrico de primeira linha, cedido pela prefeitura. No domingo a tarde, fechando a programação das entidades afro, o Bloco Afro Nelson Mandela, desfilou também no circuito oficial e contagiou o publico presente, com suas musicas e sua ala de dança que esbanjou brilho e elegância na avenida.























Com recorde de publico no teatro do CUCA, é eleita a Miss Afro Feira de Santana 2018.

Cabelos Black Power, Turbantes e Estampas Coloridas tomaram conta do teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte(CUCA), que esteve completamente lotado na noite de sexta-feira(13/04). A valorização e fortalecimento da cultura negra estavam presentes nos mais diversos símbolos, manifestações e expressões artísticas, atendendo ao que propõe o Concurso Miss Afro Feira de Santana. Idealizado e realizado pelo GRUPO CULTURAL MOVIAFRO, o concurso elegeu Vandriane Ribeiro de Deus, 28 anos, moradora do bairro do Tomba, como a representante das mulheres negras de Feira de Santana. 


Uma noite em que o clima de alegria sobrepôs ao de disputa. E não era pra menos. A concretização do evento teve que passar por cima de muitas dificuldades, inclusive a falta de recursos, porque foram poucos os patrocínios. Mas quando a causa é nobre, a vontade é grande e o esforço coletivo, é impossível não acontecer. Então havia mais que motivos para comemorar.
Evidente que as 14 finalistas, que já haviam sido selecionadas entre 123 candidatas inscritas, queriam brilhar e levar a melhor. E enquanto elas esperavam ansiosas pelo inicio do desfile, apresentações de Ronny Liens e Nilton Rasta, além da Banda Afro Pretos de Preta, mantinham as torcidas animadas.


Antes do principal momento do evento, as 14 candidatas instigaram a plateia que nela estava presente o Secretario de Cultura de Feira de Santana, jornalista Edson Felloni Borges e a comissão julgadora que foi formada por pessoas de importantíssima representatividade cultural em Feira de Santana e no Brasil, a exemplo de: Negra Jhô, Dão Turbantes, Orisa Gomes, Tanya Sacramento entre outros, com apresentações de danças assinadas pelo coreografo Marcos Tanferi, que também apresentou-se devidamente caracterizado para o publico presente que delirou com a sua performance afro. No ápice da noite, momento do desfile, cada uma deu seu melhor para conquistar o juri, que avaliou o envolvimento com questões sociais, simpatia, desenvoltura, harmonia corporal e beleza.








Muito emocionada, a vencedora afirmou que o Miss Afro é mais que um simples concurso de beleza. "A gente aprende muito sobre empoderamento, amor a si, ao nosso povo, a abraçar o nosso povo verdadeiramente. Que independente da nossa cor, classe social, etnia e principalmente da nossa raça, temos que estar sempre de cabeça erguida e nos colocarmos de forma igual em qualquer situação. E que mesmo surgindo dificuldades, temos que lutar e nunca se deixar abater" frisou.



Superação


O segundo lugar ficou para Vitoria Lainy Santos de Jesus, 22 anos, moradora do bairro Calumbi. Já o terceiro foi a vitoria da superação. Natalice Dias de Santana, 23 anos, moradora do bairro santo Antonio dos Prazeres, não permitiu que a ausência de parte de uma das pernas fosse empecilho para participar do concurso e desfilou graciosamente com muletas. A premiação foi comemorada por ela com lagrimas de alegria. Houve também a escolha da Miss Simpatia, que premiou Maiana Couto Silva de Jesus, 26 anos, também moradora do bairro do Tomba, eleita pelas próprias colegas.


Respeitem nossas pretas

Coordenador Geral do concurso e coordenador do Moviafro, Val Conceição enfatizou que a principal mensagem do Miss Afro para Feira de Santana é de respeito. "Respeitem nossas pretas". A mulher, de um modo geral, sofre muito, mas a mulher preta, sofre mais; com o preconceito, racismo e segregação. Exemplificou.

Apesar das dificuldades enfrentadas para a realização do evento e por vezes ter pensado em desistir, Val Conceição disse estar imensamente feliz com o resultado. A boa noticia para quem foi ver o Miss Afro é que poderá e vê-lo novamente e quem não participou da edição 2018, com certeza poderá participar em 2019. Pois segundo Val, muitas outras edições virão. "Se assim Deus permitir"

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Projeto Carnaval Ouro Negro completa 8 anos em Feira de Santana

Pelo oitavo ano consecutivo, o governo do estado da Bahia, através da secretaria de cultura, apoia entidades de matriz africana em Feira de Santana. O programa Carnaval Ouro Negro, lançado nesta cidade em 2010 tem viabilizado de forma direta, a participação de Blocos Afro, Afoxés e Escolas de Samba na micareta. Esse ano em especial, devido a problemas administrativos, as agremiações feirenses terão apenas o recurso do Ouro Negro para apresentarem seus trabalhos. Muitas entidades temem pelo futuro incerto que está se desenhando pois quem garantirá que no próximo ano haverá apoio do governo municipal. Nesse sentido as entidades que erroneamente foram penalizadas estão se organizando para resgatarem juntas, direitos que foram adquiridos ao longo dos anos.
O Grupo Cultural Moviafro, vem aqui, agradecer e parabenizar o governo do estado por ter sido sensível ás entidades de matriz africana de Feira de Santana e ter, dentro do que foi possível, garantido esse recurso que sem duvidas irá ser bem utilizado por todos os contemplados. Segue abaixo, cronograma de desfile.

MICARETA 2018 - DESFILE DE ENTIDADES DE MATRIZ AFRICANA
Circuito Maneca Ferreira
( Inicio do desfile na Avenida Presidente Dutra - em frente aos Correios e Término do desfile em frente a Jacuípe Veículos)

Sexta - Feira 20/04

20:00 - AFOXÉ FILHOS DA LUZ


Sábado 21/04 

08:15 - BLOCO AFRO SEMENTE DE LUANDA
08:30 - G.R.E.S ESCRAVO DO ORIENTE
08:45 - BLOCO AFRO FILHOS DE MALÊ
09:00 - G.R.E.S BRASIL MEU SAMBA
09:15 - BLOCO AFRO IMPÉRIO AFRICANO
09:45 - AFOXÉ FILHOS DE NANAN
10:00 - AFOXÉ FILHOS DE OXALÁ
10:15 - BLOCO AFRO MUZEMBELA
10:30 - BLOCO AFRO ZUMBI DOS PALMARES
10:45 - BLOCO AFRO IMPÉRIO AFRICANO
11:00 - AFOXÉ FILHOS DE OGUN
11:15 - BLOCO AFRO FEIRA AXÉ
11:30 - BLOCO AFRO SORRISO NEGRO
11:45 - BLOCO AFRO TAMBORES URBANOS
12:00 - AFOXÉ D'OGUIAN
12:15 - G.R.E.S NATIVOS DE SANTANA
12:30 - BLOCO AFRO FLOR DE IJEXÁ
12:45 - BLOCO AFRO FILHOS DE MALÊ
13:00 - BLOCO AFRO GUERREIROS AFRICANOS


21:00 - BLOCO QUILOMBO


Domingo 22/04

13:00 - BLOCO DA CAPOEIRA/ MESTRE PARANÁ
14:00 - BLOCO AFRO NELSON MANDELA

Em destaque, entidades afro contempladas com o PROJETO CARNAVAL OURO NEGRO do governo do estado.

Mesmo sem recursos, entidades afro desfilarão na micareta de Feira de Santana 2018

"Persistir, resistir e não desistir"

Com essa frase, cerca de 20 entidades afro, desfilarão na micareta de Feira de Santana no sábado(21/04), penúltimo dia da festa. Após inúmeras reuniões, todas sem exito, de tentar a flexibilização da secretaria de cultura de Feira em relação as entidades afro local, para viabilizar recursos financeiros, aproximadamente 20 entidades ( Blocos Afro, Afoxés e Escolas de Samba) irão realizar seus desfiles por conta própria já que devido a problemas na prestação de contas de 2017, onde uma associação que celebrou convenio com a prefeitura não apresentou em tempo hábil, impossibilitando assim o poder publico de renovar esse convenio. Tais entidades reuniram-se e decidiram arcar com as despesas e manter o desfile que é tradicional na micareta de Feira e a historia diz que essa grandiosa festa foi originada dessas agremiações, que faziam a alegria do folião de rua(pipoca), já que no inicio, a festa era elitizada nos grandes clubes e para poucos. Para a maioria dos dirigentes das entidades, não houve sensibilização da prefeitura no sentido de ajudar essas agremiações que oferecem o diferencial na micareta já que Feira de Santana é a unica cidade na Bahia, depois da capital Salvador, que mantém a cultura de matriz africana na festa momesca, porém o poder publico não enxerga isso como positivo e procura de todas as formas reduzir o espaço que já é pequeno dessas entidades, diz um dos representantes do movimento, ainda segundo ele, na ultima reunião com a secretaria de cultura do município ficou claro que não há interesse nessa tradição, pois as entidades se comprometeram a manter o circuito quilombola, mas a proposta foi rejeitada, segundo o secretario de cultura do município, não havia possibilidade de oferecer os equipamentos no circuito, já que não foi realizada licitação para esses equipamentos, sem contar que não haveria policiamento disponível para tal. 
Não podíamos ficar de fora, pois pra muitas entidades, a micareta é o momento máximo, onde se mostra o trabalho que algumas entidades realizam durante o ano e correríamos o risco de perder definitivamente o espaço que conquistamos com muito suor, por isso aceitamos desfilar em um horário impraticável que nos foi oferecido, diz outro dirigente. A secretaria disponibilizou o horário das 09h ás 12h no sábado e no domingo, para todos, esse horário é inviável por não apresentar publico, não vai haver visibilidade diz o dirigente, mas como foi colocado, ou esse horário ou ficar de fora, concluiu o mesmo. O secretario de cultura, por diversas vezes, alegou que a culpa não era do município e sim da entidade que foi escolhida para liderar as demais, porém não vimos em momento algum um esforço daquela secretaria no sentido de amenizar a situação e dar continuidade a uma tradição de quase um século.
Foi dito na reunião que a prefeitura não iria disponibilizar absolutamente nada para ajudar nos desfiles, que apenas o circuito Maneca Ferreira estaria livre para a cultura de matriz africana e somente nos horários pré-estabelecido. Confirmando assim, o descaso com essa cultura tão rica e que é a origem de tudo. Algumas entidades que irão desfilar serão contempladas com o PROGRAMA OURO NEGRO do governo do estado, porém o que também é de se lamentar é que esse programa que viabiliza verba para essas entidades só as contemplam com sessenta dias após a micareta o que dificulta muito a aquisição de materiais e contratação de profissionais para apresentações, porém para as entidades contempladas ainda é um alento terem esses recursos, mesmo que tardio. Mas, infelizmente outras agremiações não foram aprovadas no edital ouro negro, ficando assim sem a verba do município e sem a verba do estado o que forçou há algumas delas a desistirem do desfile o que poderá ser prejudicial no futuro.

O Grupo Cultural Moviafro é solidário com todas as entidades que indiretamente estão sendo penalizadas e independente de quem errou se coloca a disposição para o fortalecimento desse grupo que como foi dito no inicio da matéria, são as raízes dessa festa.